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O frio das ruas – poesia

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O frio é uma das intempéries mais cruéis e devastadores da natureza. Ele nos faz adoecer, causa-nos dores no corpo e provoca a sensação de profundo desconforto quando expostos a sua ação penetrante e desagradável. Como qualidade, ele também tem a capacidade de envelhecer a pele, a carne que nos recobre os ossos.

Por ser tão poderoso e causador da morte por hipotermia, o frio é agente meteorológico temido por indigentes e sem-teto. Quando vejo um mendigo ou sem-teto compadeço-me de sua situação de abandono e sofrimento. Lembro-me de que quando jovem passei muito frio em vista de não ter agasalhos e roupas adequadas que combatessem o frio. A sensação invasora do frio no corpo é terrível e bastante desconfortável.

Apesar de ser algo doloroso e triste, o escritor/poeta sempre que inspirado cede sua mente à produção de uma obra na qual expressa as nuances dessa cena real e comovente.

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O frio das ruas

No amanhecer fui levado pelo instinto e coração

Até onde meu olhar compadecido devia estar

Para na transparência do vidro frio me deparar

Com imagem que me condoeu a alma em emoção

 

Na esquina deserta contemplei a vida em miséria

Trapo, retalho de vida, ser humano em palha

A juntar panos, restos a compor sua mortalha

Que pela madrugada fria cobriu a esquálida matéria

 

Fiquei triste com fato visto pela janela, cena tão dolorosa

Causada pelo abandono e pelo frio das ruas, instrumento atroz

Que é derramado pela natureza de maneira diária e feroz

Sobre figura desconhecida pela sociedade dura e poderosa

 

O trapo andante fez dos panos de dormir um saco

Que lançou sobre o torso sujo, saindo da sombra que o abrigou

Para novamente passar o dia em busca de algo que não renunciou

O alimento nosso de cada dia, seja fé ou da vida um naco

Robert Thomaz

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