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Costuras no tempo – poesia

costuras

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O poeta cria a partir de uma simples e singela natureza. Nada específico, mas especial aos seus olhos, ao seu coração, ao dom que o leva a disponibilizar seu tempo, bem maior que possui porque ninguém pode repô-lo, na criação de obra que vai, de certa maneira expressar a essência dessa natureza.

Pode ser um beijo, um abraço, uma flor, um inseto, um acidente, o expressar de um sentimento, o amor em uma de suas faces, um momento triste, o explodir de uma bomba atômica. Eu poderia enumerar tanto, mas neste poema o foco são as costuras no tempo, aquelas que procedemos dentro de nós, de nossas memórias, tentando entendê-las e o por que de ali estarem alojadas.

 É essa criação tal diversa e grandiosa que existe como efeito do dom concedido ao poeta que lhe traz regozijo, prazer, alegria e tanta felicidade.

Costuras no tempo

Vida que passa tão rápido e tão devagar como a nuvem que nos encobre

Vida que anda atrelada ao tempo, natureza que necessita de tantas emendas

Aquelas parecidas com as que sua mãe fazia nas roupas, coisa de pobre

Que você esqueceu, depois que enriqueceu e passou a andar por outras sendas

 

Eu fiquei por aqui, no recôndito de meu apartamento num subúrbio do Rio

Não o rio que se transformou seu coração agora tão gelado, tão frio

Fiquei aqui esperando serenamente tua memória lembrar-se de mim

Sim, eu que sou teu pai, homem probo e que te amarei até meu fim

 

Fico aqui a fazer costuras nas memórias, nas tão tortas linhas

Que acolhem meus pensamentos e aventuras de um laborioso passado

Um passado repleto de esmeradas costuras, tão cruas e tão minhas

Costuras em que tu estás, menina agora mulher, algo em mim tão marcado

 

Como meus poemas que se parecem com as costuras no tempo que improviso

Obras pequenas, mas não tão amenas, que preenchem meu tempo incerto

Tempo que é meu, mas também teu, que por mim passa e não me deixa indeciso

Porque nele cabe a certeza que sempre te amarei, em qualquer lugar, fechado ou aberto

Robert Thomaz

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